Por

Hígor S. Rodrigues1,2, Bruno W. Ferreira1,3 e Hélvio G. M. Ferraz1,4

1Pesquisa e Desenvolvimento, Agrobiológica Sustentabilidade S. A., Itápolis, SP, Brasil.

2Pesquisador Entomologia, e-mail: higor.rodrigues@agrobiológica.com.br

3Pesquisador Fitopatologia, e-mail: bruno.ferreira@agrobiológica.com.br

4Diretor de P&D, e-mail: helvio.ferraz@agrobiológica.com.br

O que são percevejos?

Percevejos são insetos pertencentes a ordem Hemiptera. Esse grupo é conhecido por ter seu desenvolvimento incompleto pois quando estão na fase jovem, chamada de ninfa, apresentam semelhança morfológica com os adultos, não possuindo a fase de pupa. Este grupo ainda ocupa diferentes nichos ecológicos, podendo ser terrestre, aquático ou semiaquático.

Os percevejos se dividem em diferentes grupos alimentares: hematófagos, predadores e fitófagos. Na agricultura, os principais causadores de dano e que requerem medidas de controle são os percevejos fitófagos. No cultivo de soja, a principal espécie que ataca a cultura é o percevejo-marrom-da-soja, Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae).

Por que o percevejo-marrom é um grande problema?

O primeiro fato é que esta espécie é Neotropical, altamente adaptada as condições climáticas das principais regiões produtoras do grãos no país. Além disso, o percevejo-marrom se adaptou muito bem ao sistema de cultivo utilizado atualmente, especialmente o plantio direto. Outro fator é que pragas como lagartas, que eram o grande problema no passado, agora são mais facilmente controladas com as tecnologias Bt, fazendo com que a incidência de percevejos aumente naturalmente. Por fim, seu ataque é muito agressivo causando malformação, impedindo o desenvolvimento ou causando manchas nos grãos. Dependendo do estado fenológico da cultura, o dano estimado por percevejo.m-2 pode chegar a 0,8 kg/ha/dia.

Somado a esses fatores, E. heros possui adaptações que os permitem invadir e se estabelecer em diferentes condições. Na entressafra, o percevejo-marrom pode entrar em oligopausa, ou seja, a praga consegue sobreviver mesmo na ausência da soja. Além disso, possui alta capacidade de dispersão e são insetos altamente polífagos, se desenvolvendo em diferentes culturas durante o ano.

Épocas de atenção e manejo

A época crítica do ataque de percevejos na cultura da soja é no período reprodutivo, especificamente em R5 e R6. Em R5, os grãos estão começando a se formar e em caso de ataque ocorre mal formação ou até mesmo impede o desenvolvimento do grão. Já em R6, apesar de o grão já estar formado, o ataque pode causar perda de água ou mancha, além de afetar o embrião – fator importante principalmente para produção de sementes.

Com base nessas informações e se tratando de uma praga de difícil controle, é importante que o manejo comece a ser realizado ainda no período vegetativo ou no início do reprodutivo, visando manter a população em níveis que não causem dano econômico.

O manejo químico é uma das principais formas de controle do percevejo-marrom, por meio da aplicação de inseticidas específicos para o controle da praga. No entanto,  o uso intensivo de produtos químicos pode levar à seleção de populações resistentes, acarretando falhas de controle e prejudicando o equilíbrio ecológico do agroecossistema.

Dessa maneira, o uso integrado de diversas ferramentas como pressupõe os programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas) se torna necessário para um eficiente manejo de E. heros. Dentre as ferramentas de manejo da praga, uma das principais táticas é o uso de agentes de controle biológico.

Manejo integrado do percevejo-marrom

O percevejo-marrom é uma praga de difícil controle e por seus danos serem muito severos, integrar ferramentas sempre é a melhor solução para o manejo. Ainda mais quando há restrição de grupos químicos registrados para o controle. Nesse sentido, o uso de bioinseticidas, seja a base de bactérias ou fungos, vem sendo associado a aplicações garantindo resultados eficientes.

O uso de produtos biológicos tem se mostrado uma alternativa sustentável e indispensável para o manejo do percevejo-marrom. Por possuir modo de ação diferente das moléculas químicas sintéticas, os bioinseticidas ajudam a reduzir a pressão de seleção das populações. Somado a esses fatores, bioinseticidas a base de fungos entomopatogênicos ainda tem característica de infectividade, que é a capacidade do patógeno ser transmitido horizontalmente. Uma vez que o fungo entomopatogênico se multiplica no hospedeiro e forma estruturas propagativas, como os conídios, podem ser dispersos pela ação do vento e infectar novos insetos. Essas novas infecções podem aumentar o residual do fungo entomopatogênico, garantindo um controle mais longevo em relação aos inseticidas sintéticos.

Fungos entomopatogênicos como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana tem sido amplamente utilizados em formulações de inseticidas biológicos, e possuem boa sinergia entre si, garantindo rápida colonização da praga e controle.

Figura 1. Sinergismo entre os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae na colonização do percevejo-marrom, Euschistus heros. Foto: Agrobiológica Sustentabilidade e Next Agrociência.

O inseticida microbiológico Dobbel®, marca registrada da Agrobiológica combina estes ativos e possui maior eficiência no controle de pragas como o percevejo marrom da soja e cigarrinha das pastagens.

Conhecer o hábito da praga, a época crítica de manejo e entender que temos diversas ferramentas eficientes de controle (e que podem ser integradas) é fundamental para um manejo eficiente de E. heros.

Diante de todo esse cenário, conhecer o hábito desta praga, a época crítica de manejo e entender que temos diversas ferramentas eficientes de controle (e que podem ser integradas) é fundamental para um manejo eficiente de E. heros. E, sem dúvida, agentes de controle biológico, principalmente os fungos entomopatogênicos são cruciais para um controle eficiente, sustentável e duradouro do percevejo-marrom da soja.

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